Avanços no Tratamento da Doença Renal Crônica: O Novo Papel da Finerenona

Recentemente, a comunidade médica celebrou a publicação de estudos cruciais no New England Journal of Medicine e no JAMA, que trazem uma nova perspectiva para o tratamento da Doença Renal Crônica (DRC). O foco dessas atenções é a finerenona, um medicamento que já vinha mostrando resultados promissores e que agora amplia significativamente seu alcance terapêutico.

Dr. Roberto Galvão

6/15/20262 min read

O que é a Finerenona e como ela age?

A finerenona (conhecida comercialmente no Brasil como Fialta) atua como um bloqueador do receptor mineralocorticoide. Para facilitar o entendimento, imagine que esse receptor é uma "fechadura" e o hormônio aldosterona é a "chave". Em pacientes com DRC, insuficiência cardíaca ou diabetes, ocorre uma superativação desse sistema. A finerenona funciona como uma chave que "trava" a fechadura, impedindo a ação nociva da aldosterona e, consequentemente, reduzindo a inflamação e a fibrose nos rins.

A Grande Mudança: Além do Diabetes

Até pouco tempo, a indicação principal da finerenona era restrita a pacientes renais crônicos que também eram diabéticos (com base no estudo FIDELIO de 2020). No entanto, o novo estudo FIND-CKD demonstrou benefícios claros também para pacientes não diabéticos.

Isso significa que o leque de tratamento se abriu para quase todos os pacientes renais crônicos em tratamento conservador (estágios 1 a 4), desde que apresentem:

  • Taxa de filtração glomerular acima de 25 ml/min;

  • Presença de albuminúria (perda de proteína na urina).

Benefícios para Glomerulonefrites


Uma subanálise recente mostrou dados animadores para pacientes com doenças glomerulares comuns, como a Nefropatia por IgA (IgA), GEFS e Membranosa. Nesses casos, o uso da finerenona foi associado a uma redução de 42% na albuminúria e uma diminuição de 26% no risco renal (evolução para diálise ou falência renal).

O que esperar do tratamento?

Como qualquer intervenção médica, é fundamental o acompanhamento profissional para monitorar possíveis efeitos colaterais e ajustes:

  1. Potássio (Hipercalemia): É o efeito mais comum, mas casos graves que exigem a interrupção do remédio são raros (menos de 2%).

  2. Pressão Arterial: Embora não seja um remédio primário para pressão, a finerenona pode potencializar outros medicamentos. O médico pode ajustar doses de remédios não nefroprotetores para equilibrar a pressão.

  3. Creatinina Inicial: É normal observar uma leve elevação da creatinina nas primeiras semanas. Isso indica que o medicamento está exercendo seu efeito protetor ("colocando um freio" nos rins), o que garante maior estabilidade a longo prazo.

Conclusão: Somando Forças

A finerenona não veio para substituir medicamentos já consagrados, como a losartana ou os inibidores de SGLT2 (como o Forxiga ou Jardiance). Pelo contrário, o objetivo é somar forças. Ao combinar diferentes mecanismos de ação, conseguimos oferecer a máxima proteção renal disponível hoje na medicina.

Se você convive com a doença renal crônica, converse com seu nefrologista sobre essas novas evidências e veja se o seu perfil clínico se beneficia dessa inovação.

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