9 razões para consultar um nefrologista em 2026
Rins não dão aviso. Descubra 9 motivos baseados em dados reais e experiência clínica que mostram por que o acompanhamento com um nefrologista é essencial em 2026.
Dr. Roberto Galvão
1/14/20263 min read
1. Todo mundo tem rim
Todo mundo nasce com dois rins, mas quase ninguém se preocupa com eles de forma preventiva. Diferente do coração, para o qual existe uma forte cultura de checkup cardiológico, o rim costuma ser esquecido. O problema é que a doença renal crônica é silenciosa: é possível perder mais de 50% da função renal sem apresentar qualquer sintoma. Por isso, fazer um checkup renal básico pode ser decisivo para detectar alterações precoces e evitar surpresas no futuro.
2. Evitar emergências renais
Muitas pessoas só descobrem que têm doença renal quando já apresentam uma complicação grave. Potássio elevado, falta de ar por água no pulmão, uremia e necessidade urgente de diálise são exemplos de situações que poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce. Saber que o rim não está funcionando bem muda o comportamento do paciente, assim como dirigir com mais cuidado ao saber que o pneu do seu carro está careca. O acompanhamento permite frear a progressão e reduzir riscos.
3. Epidemia silenciosa da doença renal crônica
Estima-se que cerca de 10% da população tenha algum grau de doença renal crônica e não saiba. No Brasil, o número de pacientes em diálise cresceu de aproximadamente 46 mil em 2001 para quase 180 mil em 2024. Apenas em um ano, mais de 53 mil novos pacientes iniciaram diálise. Diabetes e hipertensão são as principais causas, mas não são as únicas, o que reforça a importância da avaliação nefrológica.
4. Crise humanitária da diálise no Brasil
O sistema de diálise brasileiro enfrenta um grave subfinanciamento, com clínicas fechando e dificuldade crescente para abertura de novas vagas. Atualmente, existem pacientes internados aguardando vaga para iniciar diálise, sem poderem receber alta hospitalar. Não se trata de fila de transplante, mas de acesso ao tratamento básico para sobreviver. Nesse contexto, prevenir a progressão da doença renal se torna ainda mais urgente e necessário.
5. Não existe transplante para todos
O número de transplantes renais no Brasil gira em torno de 6 mil por ano e praticamente não aumentou na última década. Enquanto isso, o número de pacientes em diálise segue crescendo. Além disso, o transplante não é simples nem representa a cura da doença renal crônica: envolve cirurgia complexa, uso contínuo de imunossupressores e risco de infecções. Contar com o transplante como solução é um erro; cuidar dos rins desde cedo é fundamental.
6. O nefrologista vai além do rim
A nefrologia é uma especialidade com forte base em clínica médica. O paciente renal costuma apresentar anemia, desnutrição, alterações vasculares, hipertensão, diabetes, doenças autoimunes e maior risco cardiovascular. Por isso, o nefrologista atua como um verdadeiro “maestro” do cuidado, integrando tratamentos e prevenindo complicações sistêmicas. Muitas vezes, ele acompanha o paciente de forma global, e não apenas focada nos rins.
7. Envelhecimento renal
Com o envelhecimento, ocorre uma perda natural da função renal, reduzindo a reserva dos rins. Isso torna o idoso mais vulnerável tanto à doença renal crônica quanto à injúria renal aguda, como pode ocorrer durante infecções, gripes fortes ou internações. Além disso, idosos costumam usar muitos medicamentos ao mesmo tempo, a chamada polifarmácia, que pode sobrecarregar os rins. Por isso, o checkup renal deve começar antes dos 70 anos.
8. Cápsulas perigosas e o mito do “natural”
Nem tudo que é natural é seguro. Existem plantas e substâncias naturais que são tóxicas, e pacientes renais, por exemplo, não podem consumir carambola devido ao risco de morte. Muitos pacientes fazem uso excessivo de suplementos, fitoterápicos e multivitamínicos, chegando a consumir dezenas de substâncias ao mesmo tempo. Esse excesso pode elevar a creatinina e causar danos renais importantes, muitas vezes sem que a pessoa perceba.
9. Doença renal crônica após injúria renal aguda (DRC pós-IRA)
Pacientes que passaram por internações graves, sepse, grandes cirurgias ou COVID podem ter sofrido injúria renal aguda. Mesmo quando a creatinina volta ao normal, ocorre perda de néfrons, as unidades microscópicas de filtração dos rins. Os néfrons remanescentes passam a trabalhar mais, o que, ao longo dos anos, pode levar à doença renal crônica. Por isso, quem passou por essas situações deve considerar avaliação nefrológica preventiva.



